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terça-feira, 6 de dezembro de 2011 | 0 Comentários

GayMada do Pará apoia Tapajós e quer ser o esporte oficial do Estado

A escalação do time já está definida: Tifany, Bambi, Serena, Bicha Torta, Chuck, Orelhuda, Tempestade, Fafá, Bila Bilu e Junia Mil Gatos. A modalidade em disputa é a queimada, jogo infantoescolar em que ganha a equipe que der mais e tomar menos boladas no corpo.

GayMada do Pará (Foto: Rodrigo Bertolotto)O decorador Junio Souza (esq.), ativista LGBT e praticante da GayMada (queimada entre homossexuais) em Santarém, apoia a emancipação de Tapajós: "É bom para a gente se tornar um Estado, não temos nada a ver com Belém. Somos mais próximos de Manaus" (Foto: Rodrigo Bertolotto)
“Mas aqui a gente batizou de gaymada, porque são os homossexuais que praticam”, conta o decorador Everton Reis na quadra em que jogam na orla de Santarém, principal cidade da região do Tapajós, que quer se emancipar do Pará por meio do plebiscito do próximo dia 11 de dezembro.

A competição começou marginal. “A polícia ameaçou prender a gente pelo barulho que fazíamos à noite perto de um setor comercial daqui. Era muita zuada”, relata o enfermeiro Fábio Cardoso. “Os garotos que jogavam futebol nesta quadra reclamaram e chegaram a xingar a gente, mas depois se acostumaram”, afirma o cabeleireiro Jade Brasil.

A gaymada acabou ganhando um torneio local, com presença de times das localidades vizinhas de Alenquer e Itaituba. “Virou uma febre na região. As pessoas vinham de toda a cidade para ver nossa diversão”, lembra Fábio.

A principal atração para a plateia são as provocações entre os jogadores, que vão das brincadeiras até as ofensas (“pula, sua perereca lesa”, “solta a bola, seu fresco”, “morre, bicha gorda” ou “toma, veado feio”). A cada bate-boca, o público reage com gritos e risadas. “Tem muita bicha rasgada que fala o tempo inteiro. Discussão tem toda hora, mas nunca saiu briga. É só despeito mesmo”, conta Everton.

Fora isso, o jogo é dinâmico e, como não poderia deixar de ser, bem estético. Trajando um vestido tomara-que-cai, Jade ajeita o decote a cada arremesso e dá rodopios de balé para escapar das boladas alheias. Já o decorador Junio Souza (apelidado "Junia Mil Gatos”) se atira no chão para desviar dos golpes rivais.

Há uniforme para cada um dos seis times de Santarém, cada um com sua cor e patrocinador (a maioria, motéis da cidade). Em comum, todos têm o logo da gaymada com um veado pulando um arco-íris.

Já os adereços vão por conta de cada atleta. Tem short jeans apertado, meiacalça, tiara e peruca, entre outros adornos. “A gaymada virou nosso ponto de encontro. Aqui a gente discute sobre outros eventos da comunidade GLTB como paradas e palestras”, diz Everton.

Ele afirma que tamanha é a projeção da modalidade na região que a gaymada poderia ser o esporte “oficial” de Tapajós. “Nós apoiamos a criação do Estado. E seria legal um reconhecimento de nosso movimento”, reclama Everton. “A gaymada pode ser o esporte típico daqui sim”, reforça o coro Junio.

Há competição de gaymada em várias outras cidades brasileiras, como Rio, Minas e Brasília.

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